Os Caminhos da Inovação

O apoio da FAPESP à pesquisa em oncologia

Por Prof. Dr. Carlos H. Brito Cruz, Diretor Científico da Fapesp.

A pesquisa sobre câncer continua compondo uma das áreas mais desafiantes para a ciência no mundo todo. No Estado de São Paulo, universidades e institutos de pesquisa desenvolvem intensa atividade de pesquisa na área de saúde, com um esforço especial em oncologia. A Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (FAPESP) aplica de 25% a 30% de seu dispêndio anual total para apoio à pesquisa na área de saúde. Para temas relacionados a câncer, desde 2009, a FAPESP apoiou 5.574 auxílios à pesquisa e bolsas, com contratos de R$ 100 milhões anuais. Outras agências de pesquisa, como o CNPq, a CAPES e a FINEP, também trazem expressivo apoio à pesquisa nesta área em São Paulo. O apoio decidido do governo estadual paulista à pesquisa é evidenciado, por exemplo, observando-se que, em 2015, 65% dos artigos publicados por cientistas do Brasil sobre oncologia tinham autores no estado. No acervo de quase mil patentes resultantes de projetos apoiados pela FAPESP nos últimos 15 anos, 30% são no setor de medicina, saúde, veterinária e higiene.

As universidades contribuem fortemente com esse esforço, tanto com resultados de pesquisa como na formação de pessoal. Afinal, os pesquisadores nos hospitais e institutos se educaram nas melhores universidades, entre as quais estão a USP, a Unicamp, a Unesp, a UFABC, a Unifesp e a Ufscar. Todas essas universidades mantêm, ao lado de seus programas de pesquisa acadêmica, intensas atividades de colaboração com hospitais e empresas. Suas agências de inovação são importantes instrumentos para o desenvolvimento de parcerias.

Ao lado das universidades, um desenvolvimento relativamente recente tem sido o estabelecimento de institutos de pesquisa ligados a hospitais, de forma a facilitarem a criação e a aplicação de conhecimento, encurtando a distância entre a bancada de pesquisa e o leito do paciente. Tais institutos têm sido criados inclusive em associação com hospitais particulares no estado de São Paulo. Seu papel é essencial, pois na área médica não é somente por licenciamento de patentes ou por colaboração entre universidades e/ou institutos e empresas que o conhecimento é levado a beneficiar a sociedade. Talvez o principal canal para a ciência virar benefício social nesta área seja o impacto das descobertas nos procedimentos e protocolos usados nos hospitais, levando a um atendimento com maior qualidade.

Os desafios continuam grandes, e para enfrentá-los a comunidade de pesquisa busca cada vez mais trabalhar de forma colaborativa. Na área de oncologia quase 50% dos artigos com autores no Brasil, e publicados internacionalmente, tem também autores no estrangeiro. Com as colaborações o fluxo de ideias se acelera e mais e melhores resultados podem ser obtidos em menos tempo. A alta intensidade de colaboração internacional contribui, portanto, para que os trabalhos de cientistas no Brasil tenham maior impacto na ciência mundial e, ao mesmo tempo, tragam ideias que contribuem para aumentar a qualidade do atendimento médico no país.

Os resultados deste importante esforço de pesquisadores são visíveis na qualidade do atendimento aos pacientes nos principais hospitais do estado, incluindo-se o mais recente destes, o ICESP. São também visíveis no conjunto de descobertas dos pesquisadores que receberam o Prêmio Octavio Frias de Oliveira. É fundamental, por isto, cumprimentar o ICESP e a família Frias de Oliveira pela instituição do Prêmio Octávio Frias de Oliveira, que contribui de forma decisiva para estimular a pesquisa competitiva mundialmente ao reconhecer e destacar a melhor ciência feita na área de oncologia no país.

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