Edições

– Personalidade de Destaque

Marcos Fernando de Oliveira Moraes

Articulador de políticas públicas

Ao longo de 30 anos, o cirurgião Marcos Fernando de Oliveira Moraes contribuiu de modo intenso para a formulação e implantação das políticas públicas de tratamento e prevenção do câncer hoje em vigor no Brasil. Em 2012, ao receber outro prêmio de sua carreira e rever sua trajetória profissional, ele classificou de “obstinada” sua política de combate ao tabagismo. Moraes participou da definição das restrições crescentes, estabelecidas por lei, ao tabagismo em espaços públicos e dos limites máximos para substâncias cancerígenas como o alcatrão e a nicotina nos cigarros vendidos no país.

Alagoano nascido em 1936 em Palmeira dos Índios, formou-se pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em 1963. Em 1974, ele se mudou para os Estados Unidos para fazer residência médica na Universidade de Illinois, em Chicago. Em 1990, de volta ao Brasil, foi convidado para elaborar o Programa Nacional de Controle de Câncer.

De 1990 a 1998, como diretor-geral do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Moraes incentivou a pesquisa científica no hospital e aprimorou os mecanismos institucionais para formalizar contratos com empresas farmacêuticas e receber doações. Em outra frente de atuação, ele valorizou o aprimoramento das equipes de cuidados paliativos para doentes em fase terminal. “Quando não há mais nada a fazer, sempre há alguma coisa a fazer” é uma frase que ele repete quando aborda esse assunto.

Criada por Moraes em 1991, a Fundação do Câncer facilitou a contratação de profissionais da área médica para o Inca e fortaleceu as campanhas de detecção precoce do câncer e de combate ao tabagismo. Aos 80 anos, como presidente do conselho de curadores da Fundação, Moraes tem priorizado o investimento em uma medicina mais humanizada e a assistência em internação domiciliar de pacientes terminais.

– Homenagem especial

José Alencar da Silva

Desistir, jamais

Em 2003, logo após ser eleito vice-presidente da República, o empresário mineiro José Alencar ganhou a admiração dos brasileiros por causa da transparência e da coragem com que enfrentou o tratamento contra vários tumores no abdômen – os primeiros, no rim e no estômago, haviam sido identificados seis anos antes, em 1997. Apresentando-se sempre com otimismo, ele não escondia da imprensa informações sobre seu estado de saúde. Durante o tratamento, insistia em que os médicos lhe informassem os detalhes de sua doença e as estratégias empregadas para combatê-la.

José Alencar passou por várias cirurgias e, no Brasil e no exterior, submeteu-se a tratamentos experimentais, nem sempre eficazes para deter o crescimento dos tumores. “Se o corpo reclamava da doença, dos remédios, das cirurgias, a cabeça resistia bravamente”, escreveu a jornalista Eliane Cantanhêde no livro “José Alencar – Amor à Vida”.

Paulo Hoff, diretor-geral do Icesp, conheceu José Alencar em julho de 2006, ao ser chamado pelos colegas médicos Roberto Kalil, Raul Cutait e Miguel Srougi para opinar sobre as possibilidades de tratamento. “Dou meu testemunho de que ele nunca esmoreceu, [nunca] se revoltou ou deixou de fazer o que lhe era recomendado”, observou Hoff no prefácio ao livro.

Apenas uma vez Hoff encontrou o vice-presidente desanimado. Foi em setembro de 2009, após haver falhado um tratamento experimental a que se submetera nos Estados Unidos.

Caminharam pelo Palácio do Jaburu, em Brasília, conversaram, e Alencar decidiu retomar o tratamento. “Para nossa alegria, [o tratamento] teve uma resposta espetacular, que durou um ano inteiro”, relatou Hoff.

Nascido em Muriaé, Minas Gerais, José Alencar saiu de casa aos 14 anos, abriu sua primeira loja aos 18, construiu um conglomerado têxtil e participou da vida política do país. Casado, pai de três filhos, Alencar morreu no dia 29 de março de 2011, aos 79 anos, após uma luta de quase 15 anos contra o câncer.

– Personalidade de Destaque

Ricardo Renzo Brentani

O prazer de entrar em territórios desconhecidos

“Não gosto de andar por trilha onde outros já passaram”, disse um dia Ricardo Brentani, expressando seu apego ao desconhecido. Como primeiro professor titular de oncologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), escola na qual se formou em 1962 e pela qual foi contratado em 1980, teve um papel importante na organização do ensino, na pesquisa e na redefinição dos métodos de atendimento nessa área.

Brentani iniciou uma revolução silenciosa em 1983 ao assumir a direção do Instituto Ludwig de Pesquisas sobre o Câncer, então instalado no Hospital do Câncer de São Paulo, e outra em 1990 ao se tornar diretor do próprio hospital. Gestor de pulso firme e reconhecedor do talento dos integrantes de suas equipes, ele fez do instituto e do hospital centros de excelências em pesquisa e atendimento médico.

Como cientista, Brentani promoveu a biologia molecular. Ele publicou seu primeiro artigo na revista “Nature”, sobre a atividade da enzima ribonuclease, quando cursava o terceiro ano da faculdade, com o professor Michel Rabinovitch. Uma síntese de sua tese de doutorado, sobre a ação do nucléolo no processamento do RNA-mensageiro, também saiu na “Nature”. Em vez de se dedicar a um único assunto ao longo da carreira, como é comum, ele descobria problemas originais para investigar. E assim, com suas equipes, fez outros trabalhos relevantes, um dos quais sobre o papel de proteínas conhecidas como príons em doenças psiquiátricas.

Nas décadas de 1990 e 2000, Brentani foi um dos coordenadores do Projeto Genoma do Câncer, cujo objetivo era mapear as características genéticas dos principais tipos de tumor da população brasileira. O Genoma do Câncer foi apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), da qual ele foi diretor-presidente de 2004 até falecer, em 2011.

Nascido em Trieste, na Itália, em 1937, Brentani veio com os pais para o Brasil com um anode idade e naturalizou-se brasileiro.

 

– Pesquisa em Oncologia

Novo uso para um medicamento contra diabetes

A combinação de metformina, medicamento usado no tratamento de diabetes tipo 2, com o quimioterápico paclitaxel poderá representar uma estratégia alternativa aos tratamentos atuais contra o câncer, se os testes de avaliação da eficácia apresentarem resultados satisfatórios.

Em estudos iniciais com modelos animais realizados na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a combinação dos dois medicamentos impediu a multiplicação de células tumorais. A metformina induziu a atividade da proteína AMPK, que, por sua vez, inibiu a ação da proteína mTOR, uma das responsáveis pelo crescimento do tumor. O paclitaxel ampliou a atividade da AMPK, que interrompeu a divisão das células tumorais, inibindo o crescimento do tumor.

 

Coordenador

José Barreto Carvalheira – Unicamp

 

Estágio atual

A eficácia da combinação dos dois medicamentos contra o câncer está sendo avaliada em pacientes (testes clínicos) com tumores de cabeça e pescoço atendidos na Unicamp e no Hospital do Câncer de Barretos. A segurança de uso da metformina já foi avaliada antes, para diabetes. Outros testes estão indicando que a metformina também poderia melhorar os efeitos da radioterapia.

 

Perspectivas

Como a metformina é um medicamento genérico já produzido no país, os testes clínicos, se apresentarem os resultados esperados, poderão resultar em uma alternativa de custos mais baixos que os tratamentos usuais contra alguns tipos de câncer.

 

Trabalho premiado

ROCHA, G. Z. et al. Metformin Amplifies Chemotherapy-Induced AMPK Activation and Antitumoral Growth. Clinical Cancer Research. v. 17, n. 12, p. 3993-4005, 2011.12

– Personalidade de Destaque

Família Ermírio de Moraes – Grupo Votorantim

Tradição em filantropia

Nascido em 1900 em um engenho de cana-de-açúcar próximo ao Recife, em Pernambuco, José Ermírio de Moraes criou o Grupo Votorantim, um dos maiores do país, foi senador e ministro da Agricultura. Ele criou também uma tradição familiar: a participação na gestão e no apoio financeiro a hospitais filantrópicos.

José Ermírio de Moraes foi presidente do Hospital Beneficência Portuguesa durante duas décadas. Seu filho Antônio Ermírio o sucedeu na presidência do hospital, que visitava quase diariamente, de 1971 a 2008. Rubens Ermírio de Moraes, filho mais novo de Antônio Ermírio, ocupou seu lugar e foi reeleito em 2015.

Um dos irmãos de Antônio Ermírio, José Ermírio de Moraes Filho, foi presidente, durante 12 anos, da Fundação Antônio Prudente, ligada ao Hospital do Câncer, hoje A.C. Camargo Cancer Center. Em 1983, ele passou a direção para Ricardo Brentani e permaneceu no conselho curador até 2011. Sucessor de Moraes Filho, José Ermírio de Moraes Neto preside o conselho há 11 anos.

“Os filhos continuaram as obras que os pais ou os tios haviam começado, e é natural, não é pedido nem imposto”, observa Liana Maria Carraro de Moraes, esposa de Moraes Neto. Em 1999, a convite de Brentani, ela assumiu a presidência da Rede Voluntária de Combate ao Câncer Carmem Prudente e atualmente é diretora executiva do A.C. Camargo Cancer Center. “O Brasil precisa de união. Ninguém consegue resolver os problemas sozinho.”

Desde 2008, Liana Moraes integra o Conselho Consultivo do Icesp, ao qual, em 2011, a família Ermírio de Moraes doou R$ 2,5 milhões para a compra de um ultrassom com foco de alta intensidade para tratamento de pessoas com câncer.

Em paralelo, Regina Helena Scripilliti Velloso, depois de 15 anos como voluntária, assumiu em 2012 a presidência do conselho de administração da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), sucedendo o pai, Clóvis Scripilliti, cunhado de Antônio e de José Ermírio Moraes Filho.

 

– Pesquisa em Oncologia

Controlar a inflamação para deter tumores

Por meio da inibição da produção de uma substância inflamatória, o fator de necrose tumoral alfa, TNF-alfa, no tecido gorduroso, foi possível interromper a progressão de tumores colorretais em modelos animais. A inflamação é um processo comum na obesidade que pode favorecer o desenvolvimento desse tipo de câncer.

Em laboratório, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) induziram o câncer colorretal em camundongos magros (grupo controle) e em obesos por meio de substâncias carcinogênicas. Em seguida, aplicaram o medicamento infliximabe, um inibidor de TNF-alfa, nos dois grupos. A redução dos níveis dessa molécula preveniu o surgimento dos tumores nos animais magros e interrompeu sua progressão nos obesos.

 

Coordenador

José Barreto Carvalheira – Unicamp

 

Estágio atual

Os pesquisadores estão investigando outras conexões entre obesidade, inflamação e câncer de cólon. Estão também avaliando em modelos animais o uso do medicamento metformina associada à radioterapia como alternativa para o tratamento do câncer de reto.

 

Perspectivas

Os testes de segurança e eficácia a serem feitos, se apresentarem os resultados esperados, poderão indicar um novo uso para o infliximabe, já adotado para tratar doenças auto-imunes e algumas formas de inflamação do intestino que não respondem a outros tratamentos.

 

Trabalho premiado

FLORES, M. B. et al. Obesity-Induced Increase in Tumor Necrosis Factor-α Leads to Development of Colon Cancer in Mice. Gastroenterology. v. 143, n. 3, p.741-53, 2012.

– Personalidade de Destaque

Silvia Regina Brandalise

Inovadora da oncologia pediátrica

Ao lado de sua equipe do Centro Infantil de Investigações Hematológicas Dr. Domingos A. Boldrini, em Campinas, e de colegas de outras instituições do Brasil e de outros países, Silvia Brandalise aperfeiçoou e, quando necessário, criou padrões de tratamento do câncer pediátrico. Ela centralizou o atendimento, evitando que crianças e pais tivessem de ir a vários hospitais, e, indicada por diversas sociedades médicas, implantou tratamentos de maior eficácia e menor toxicidade, como os protocolos para leucemia linfoide aguda, o câncer infantil mais frequente. Como resultado, a taxa de cura das crianças com leucemia linfoide aguda passou dos 5% do final da década de 1970 para os atuais 80%.

Médica formada pela Escola Paulista de Medicina, hoje Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com doutorado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Silvia Brandalise começou a dar forma ao Centro Boldrini em 1970. O apoio de instituições filantrópicas e empresas de Campinas possibilitou a construção de laboratórios, salas de quimioterapia e ambulatório e a expansão da prestação de serviço gratuito aos pacientes e famílias. O hospital ocupa hoje 40 mil metros quadrados de área construída em um terreno de 100 mil metros quadrados. A construção de um prédio anexo para o centro de pesquisa deve fortalecer o trabalho científico e fundamentar a implantação de novas estratégias de tratamento.

Em 2013, aos 70 anos, ao receber o Prêmio, Silvia Brandalise comentou de sua batalha contínua: “A incidência de câncer é ascendente entre crianças e adolescentes, e a taxa de mortalidade em cinco anos no Brasil é de 50%, ainda muito alta quando comparada com os 20% dos Estados Unidos e outros países”. Muito mais se poderia avançar, segundo ela, por meio de aprimoramentos na organização da rede pública de serviços de diagnóstico e tratamento às crianças com câncer.

 

– Pesquisa em Oncologia

Teste molecular para tumores de cabeça e pescoço

Um teste molecular não invasivo desenvolvido por pesquisadores e médicos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), do A.C. Camargo Cancer Center e do Hospital do Câncer de Barretos tem permitido a detecção precoce do risco de reaparecimento de tumores de cabeça e pescoço (em pessoas que já os tiveram), antes dos primeiros sinais clínicos, desse modo ampliando a eficácia do tratamento.

O teste consiste no exame molecular de células epiteliais encontradas na saliva. O DNA dessas células é extraído e se avalia se os genes supressores de tumores apresentam um tipo de alteração chamada hipermetilação.

Pessoas cujos genes supressores sofreram essa alteração apresentaram um risco cinco vezes maior de reaparecimento dos tumores de cabeça e pescoço do que as pessoas cujos genes estavam inalterados.

O teste poderia ser usado também para identificar alterações genéticas prejudiciais em quem não teve a doença para saber se há risco de desenvolvê-la.

 

Coordenador

André Luiz Vettore de Oliveira – Unifesp

 

Estágio atual

Os pesquisadores continuam analisando amostras de saliva de mais pessoas para aumentar a precisão do teste. Quase 350 já foram examinadas.

A técnica de detecção das mutações dos genes supressores de tumores (metilação do DNA) ainda não foi patenteada pelos pesquisadores.

 

Perspectivas

O grupo de pesquisa enfrenta dificuldades de financiamento para expandir o número de pessoas examinadas por meio desse teste. Há interesse em dar prosseguimento ao trabalho por meio de colaboração com empresas e em promover a incorporação dessa técnica na rotina médica.

 

Trabalho premiado

RETTORI, M. M. et al. Prognostic significance of TIMP3 hypermethylation in post-treatment salivary rinse from head and neck squamous cell carcinoma patients. Carcinogenesis. v. 34, n. 1, p. 20-27, 2013.

 

– Inovação Tecnológica em Oncologia

O Imunomodulador P-MAPA

Uma molécula de alto peso molecular conhecida como P-MAPA mostrou-se capaz de reduzir em 95% os tumores de bexiga urinária de modelos animais (roedores), por meio da ativação de receptores celulares do sistema imune inato (receptores toll-like) e da restauração das funções da proteína p53, essencial para desfazer as lesões do DNA que podem originar células tumorais.

 

Coordenadores

Iseu Nunes – Farmabrasilis

Wagner José Fávaro e Nelson Duran – Unicamp/Farmabrasilis

 

Estágio atual

Já foram concluídos os testes de toxicidade e de avaliação in vivo da capacidade de restauração das defesas do organismo (imunocompetência), incluindo expressiva habilidade de impedir a formação de vasos sanguíneos que nutrem os tumores (ação antiangiogênica), indução de morte celular (apoptose) e regressão tumoral.

Os estudos de mecanismos de ação do P-MAPA em câncer de bexiga foram completados, indicando ampla capacidade de resposta contra as células tumorais.

A proteção de direitos de propriedade intelectual por meio de patentes foi solicitada e/ou obtida no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa.

 

Perspectivas

Os resultados dos estudos pré-clínicos fortalecem a perspectiva de acordos de colaboração com empresas farmacêuticas para a realização da etapa final do desenvolvimento – os testes de avaliação da segurança e eficácia em seres humanos – do P-MAPA como terapia adjuvante no tratamento de câncer de bexiga.

A substância tem apresentado amplo espectro de ação e baixa toxicidade.

Estudos feitos em universidades públicas de São Paulo caracterizaram, em modelos animais, a ação do P-MAPA também contra tumores de próstata e de pâncreas.

 

Trabalho premiado

FÁVARO, W. J. et al. Effects of P-MAPA Immunomodulator on Toll-Like Receptors and p53: Potential Therapeutic Strategies for Infectious Diseases and Cancer. Infectious Agents and Cancer. v. 7, n. 1 jun. 2012.

 

– Menção Honrosa

As proteínas que desregulam as células infectadas com HPV

Estão um pouco mais claros os mecanismos pelos quais o papilomavírus humano (HPV) pode favorecer o desenvolvimento de alguns tipos de câncer, como os de colo de útero, de canal anal, vagina, vulva, pênis e orofaringe. A evolução da infecção causada pelo vírus para lesões que podem evoluir para tumores pode estar ligada a proteínas chamadas fatores de transcrição, produzidas pela célula infectada. Os fatores de transcrição, quando se ligam à região regulatória viral, podem estimular a expressão das proteínas virais E6 e E7, oncoproteínas que alteram o ciclo de divisão de células normais e, desse modo, induzem a formação de tumores. Um grupo de pesquisadores de São Paulo examinou 704 fatores de transcrição do HPV dos tipos 16 e 18 e encontrou 28 proteínas capazes de ativar e 36 de inibir a transcrição do DNA viral que contém genes a partir dos quais se formam proteínas que favorecem o crescimento de tumores. Os pesquisadores identificaram 8 novos fatores de transcrição (MYC, TP53, GATA 3, TFAP2B, ETV4, ASCL1, THAP7 e FOXA1) que influenciam a expressão dos genes a partir da região regulatória no DNA do vírus, induzindo a atividade viral.

 

Coordenadoras

Luisa Lina Villa – Icesp

Laura Cristina Sichero Vettorazzo – Icesp

 

Estágio atual

Os pesquisadores estão analisando outros mecanismos pelos quais os fatores de transcrição celulares poderiam ser produzidos em maior ou menor quantidade que o normal no interior das células infectadas.

 

Perspectivas

A definição de proteínas que estimulem a expressão das oncoproteínas virais pode indicar o risco de lesões causadas pelo vírus evoluírem para tumores e ajudar a prever a frequência de cânceres causados por esse vírus na população brasileira.

 

Trabalho Premiado

SICHERO, L., SOBRINHO, J. S. e VILLA, L. L. Identification of Novel Cellular Transcription Factors that Regulate Early Promoters of Human Papillomavirus Types 18 and 16. The Journal of Infectious Diseases. v. 206, n. 6, p. 867-74, 2012


– Personalidade de Destaque

Angelita Habr-Gama

Cirurgiã renovadora da coloproctologia

Logo após terminar a graduação na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

(FMUSP), em 1958, Angelita Habr-Gama tornou-se a primeira mulher residente em cirurgia geral do Hospital das Clínicas, à época reduto exclusivo dos homens.

Aos poucos, ela venceu as resistências e conquistou seus próprios espaços. Tornou-se a primeira mulher cirurgiã da USP, organizou o primeiro curso prático e teórico de colonoscopia e destacou-se na reestruturação dos métodos de trabalho em coloproctologia, especialidade que trata as doenças na porção final do intestino grosso. Primeira professora titular em cirurgia da USP, criou o Departamento de Gastroenterologia da FMUSP.

Em 1991, com base em sua experiência como cirurgiã, Angelita propôs uma nova abordagem para o tratamento do câncer de reto. Ela recomendava que esse tipo de neoplasia fosse tratado inicialmente com rádio e quimioterapia e acompanhado de modo contínuo, em vez de ser encaminhado de imediato para a cirurgia radical. Sua abordagem mostrou bons resultados – a terapia com medicamentos e radiação levou à regressão total do tumor em cerca de 30% dos 700 casos tratados desde 1991 – e ganhou a adesão de outros especialistas da área.

Filha de imigrantes libaneses, Angelita foi além do hospital e da sala de aula. Ela criou e preside a Associação Brasileira de Prevenção do Câncer de Intestino (Abrapreci), destacando-se na coordenação do programa de prevenção do câncer colorretal. “Fazer as coisas pela metade não faz parte de meu temperamento. Este é o meu conceito, reproduzindo Fernando Pessoa: ‘Põe quanto és no mínimo que fazes’”, comentou em 2010 ao receber um dos muitos prêmios de sua carreira. Em 2016 ela mantém sua atividade cirúrgica e de consultório da mesma maneira que seu marido, o cirurgião Joaquim José Gama Rodrigues, professor titular de cirurgia da FMUSP.

 

– Pesquisa em Oncologia

Vacina experimental contra tumores causados pelo HPV

Em estudos realizados no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP), uma vacina experimental de DNA induziu as células de defesa de camundongos a identificar e eliminar células de tumores causados pelo papilomavírus humano, o HPV, do tipo 16, causador de câncer de colo do útero, de cabeça e pescoço, de pênis e de ânus, o HPV, do tipo 16, causador de câncer de colo do útero, de cabeça e pescoço, pênis e ânus. A vacina experimental age após o estabelecimento da infecção causada pelo vírus que pode induzir a formação de células tumorais, ativando células (linfócitos T CD8) que procuram deter as células infectadas.

 

Coordenadores

Luís Carlos de Souza Ferreira e

Mariana de Oliveira Diniz – ICB-USP

 

Estágio atual

A versão mais eficaz da vacina experimental contém antígenos contra as oncoproteínas E6 e E7, produzidas pelo HPV no interior das células saudáveis.

O direito de privilégio de uso por meio de patente no Brasil já foi solicitado.

 

Perspectivas

Os pesquisadores pretendem obter recursos financeiros e estabelecer acordos de colaboração com empresas ou hospitais para ampliar a escala de produção, realizar os testes de toxicidade e seguir rumo aos testes clínicos, que poderiam levar a uma nova estratégia de tratamento de tumores causados pelo HPV.

 

Trabalho premiado

DINIZ, M. O. et al. Enhanced therapeutic effects conferred by an experimental DNA vaccine targeting human papillomavirus-induced tumors. Human Gene Therapy. v. 24, n. 10 out. 2013.

 

– Inovação Tecnológica em Oncologia

RebmAb200, anticorpo monoclonal contra câncer de ovário

Pesquisadores do Instituto Butantan, da Universidade de São Paulo (USP) e da empresa Recepta Biopharma desenvolveram uma linhagem de células capaz de produzir anticorpos monoclonais, assim chamados por serem feitos a partir de um único clone de células. Em testes de laboratório, o anticorpo monoclonal humanizado RebmAb200 ligou-se a moléculas específicas da superfície das células tumorais de ovário, rim e pulmão, agindo apenas sobre elas, diferentemente da quimioterapia e da radioterapia, os tratamentos convencionais, que podem eliminar também células normais.

 

Coordenadores

Ana Maria Moro – Instituto Butantan

José Fernando Perez – Recepta Biopharma

 

Estágio atual

Os pesquisadores selecionaram linhagens de células capazes de produzir anticorpos monoclonais com uniformidade e estabilidade. Testes feitos no Brasil e na Suécia indicaram que o RebmAb200 poderia também transportar substâncias radioativas, usadas na radioterapia, às células tumorais, e ser usado em diagnóstico. Os estudos sobre a distribuição e o tempo de ação (meia vida) do anticorpo no organismo já foram concluídos. Protegido por meio de um pedido de patente depositado nos Estados Unidos e na Europa, o RebmAb200 está sendo produzido na Holanda desde 2014.

 

Perspectivas

Almeja-se a realização de testes clínicos e a produção em larga escala no país, de modo a criar uma alternativa aos tratamentos usuais principalmente contra o câncer de ovário.

 

Trabalho premiado

LOPES DOS SANTOS, M. et al. RebmAb200, a humanized monoclonal antibody targeting the sodium phosphate transporter NaPi2b displays strong immune mediated cytotoxicity against cancer: a novel reagent for targeted antibody therapy of cancer. PLoS One. 31 jul. 2013.

 

– Menção Honrosa

Ações integradas contra a leucemia na América Latina

Após criarem uma rede colaborativa e adotarem novos métodos de tratamento, pesquisadores, médicos e outros profissionais de saúde do Brasil, do México, do Chile e do Uruguai conseguiram prolongar a sobrevida de pessoas com leucemia promielocítica aguda (LPA), tipo raro e agressivo de câncer do sangue e da medula óssea.

Em conjunto, os especialistas fizeram um ajuste no método habitual de tratamento, trocando um dos medicamentos usados em outros países, o ácido all-trans-retinoico, por outro, a daunorrubicina, de menor custo e disponível nos sistemas públicos de saúde dos países participantes do estudo.

O método foi aplicado em 180 pessoas com LPA nos quatro países de 2006 a 2010. Como resultado, 153 pessoas tratadas apresentaram uma recuperação completa.

O uso da daunorrubicina, somado a um método já adotado de detecção de uma mutação genética responsável pela leucemia, permitiu diagnosticar pessoas com LPA mais rapidamente, diminuindo os índices de mortalidade após o diagnóstico.

 

Coordenador

Eduardo Magalhães Rego – USP

 

Estágio atual

Os pesquisadores ampliaram o estudo — já trataram 320 pessoas por meio desse método — e estão incorporando grupos médicos do Peru e do Paraguai interessados em aplicar a nova abordagem.

 

Perspectivas

Pretende-se ampliar dos atuais 50% para 80% taxa de sobrevida de 80% em pessoas com esse tipo de câncer e promover a adoção dessa forma de tratamento em hospitais públicos dos países participantes.

 

Trabalho premiado

REGO, E. M. et al. Improving acute promyelocytic leukemia (APL) outcome in developing countries through networking, results of the International Consortium on APL. Blood. v. 121, n. 11, p. 1935-43, 2014.

– Personalidade de Destaque

Marco Antônio Zago

Renovador dos métodos da hematologia

Ao valorizar e disseminar o uso de técnicas de análise de alterações de cromossomos, genes e proteínas associados a doenças do sangue, o médico hematologista Marco Antonio Zago ampliou a abordagem analítica da hematologia proposta na década de 1970 pelo professor Cassio Bottura na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), onde ele fez a graduação, o mestrado e o doutorado.

Seu pós-doutorado na Universidade de Oxford, em 1976 e 1977, permitiu-lhe prosseguir na renovação dos métodos aprofundados de investigação das doenças do sangue. Até então os hematologistas preparavam os diagnósticos com base apenas nas variações das formas das células do sangue.

Em seus artigos científicos – os primeiros publicados em 1979 –, Zago mostrou as possibilidades de diagnósticos cada vez mais precisos e aprofundados e, ao mesmo tempo, alertou os profissionais da saúde sobre a importância de valorizar uma abordagem sistêmica, integrando os aspectos moleculares, genéticos, fisiológicos e clínicos das doenças do sangue, muitas das quais expressas por meio de dor e inflamação.

“Zago modernizou a hematologia ao criar novos métodos de trabalho”, sintetiza Dimas Covas, diretor do Hemocentro de Ribeirão Preto e professor da FMRP-USP, que trabalha com ele desde a década de 1980.

Como professor da FMRP-USP, Zago fez estudos pioneiros em genética de populações, verificando que a prevalência e a evolução clínica de anemias hereditárias poderiam variar entre os grupos étnicos. Ele esteve à frente dos projetos Genoma Xylella e Genoma Clínico do Câncer e, de 2000 a 2014, coordenou o Centro de Terapia Celular, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Nascido em Birigui, interior paulista, em 1946, Zago foi presidente e diretor científico do Hemocentro de Ribeirão Preto, diretor clínico do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, presidente do Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pró-reitor de Pesquisa da USP, da qual é reitor desde 2014.

 

– Pesquisa em Oncologia

Mutação frequente em tumores de rim em crianças

Um grupo de pesquisadores do A. C. Camargo Cancer Center identificou uma mutação frequente no gene DROSHA responsável por 12% dos casos de tumor de Wilms, o tipo de câncer de rim mais comum em crianças.

O gene DROSHA, que ainda não havia sido associado a esse tipo de tumor, controla a produção de pequenas moléculas (microRNAs) que regulam a expressão de genes, um processo fundamental para a formação correta dos órgãos durante a gestação. As mutações nesse e em outros genes envolvidos no processo de produção de microRNAs, identificadas neste trabalho, estavam presentes em mais de 30% dos tumores de Wilms.

Além disso, os pesquisadores caracterizaram o provável impacto de ação da mutação frequente no gene DROSHA na produção das moléculas de micro-RNAs. Antes desse trabalho, em menos de 30% dos casos era possível identificar alguma mutação nos poucos genes associados a esse tipo de câncer. Agora, mais de 60% dos tumores passaram a apresentar alguma mutação, fortalecendo a hipótese de que o descontrole na produção de micro-RNA é um m mecanismo importante para o desenvolvimento dessa doença.

 

Coordenadora

Dirce Maria Carraro – A. C. Camargo Cancer Center

 

Estágio atual

Os pesquisadores estão desenvolvendo uma estratégia para identificar mutações específicas do tumor em DNA colhido de urina com o propósito de fazer o diagnóstico de forma precisa e menos invasiva e monitorar a resposta ao tratamento.

 

Perspectivas

A identificação de uma mutação frequente no DROSHA e em outros genes participantes do processo de micro-RNAs abre perspectivas de desenvolvimento de medicamentos mais eficazes e com menos efeitos colaterais que os atuais.

 

Trabalho premiado

TORREZAN, G.T. et al. Recurrent somatic mutation in DROSHA induces microRNA profile changes in Wilms tumour. Nature Communications. v. 5, p.1-10, 2014.

 

– Inovação Tecnológica em Oncologia

FabC4, anticorpo monoclonal para câncer de mama

O anticorpo monoclonal FabC4 mostrou-se capaz de identificar uma proteína relacionada ao desenvolvimento do câncer de mama, a Citoqueratina 10, em testes feitos com amostras de tecido tumoral de grupos de mulheres de São Paulo e Minas Gerais.

Desenvolvido na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) a partir do RNA de pacientes com câncer de mama, o FabC4 também viabilizou o prognóstico de um subtipo de tumor de mama, o triplo-negativo, caracterizado pela ausência de receptores hormonais ou da proteína HER-2, que se expressa em 25% dos casos de câncer de mama. Tumores do tipo triplo-negativo respondem apenas a químio e radioterapia, mas mulheres desse grupo que se mostraram sensíveis ao FabC4 apresentaram uma sobrevida maior que as não reagiram ao anticorpo.

 

Coordenadora

Thaise Gonçalves de Araújo – UFMG

 

Estágio atual

Os pesquisadores estão detalhando as formas de ação do FabC4, que parece ser capaz de induzir a apoptose, o mecanismo de morte programada das células, e frear a multiplicação das células tumorais.

 

Perspectivas

Uma das metas é desenvolver uma alternativa mais eficiente que as hoje adotadas para o tratamento do câncer de mama, um dos mais frequentes em mulheres.

 

Trabalho premiado

ARAÚJO, T.G. et al. A novel highly reactive Fab antibody for breast cancer diagnostic and staging also discriminates a subset of good prognostic triple-negative breast cancers. Cancer Letters. v. 343, n. 2, p. 275-285, 2014.

 

– Menção Honrosa

Revendo a estratégia de transfusão de sangue

Na linha oposta à prática habitual, uma equipe do Icesp verificou que o tratamento mais intensivo da anemia, em comparação com o hoje recomendado aos pacientes, poderia reduzir as taxas de eventos adversos e de mortalidade após grandes cirurgias para o tratamento do câncer.

A conclusão apoia-se em um estudo realizado com 198 pacientes. Depois de passarem por cirurgias para a retirada de tumores abdominais, 97 deles foram submetidos à transfusão de hemácias quando o nível de hemoglobina se encontrava abaixo de 9 gramas por decilitro (g/dl) de sangue e 101 receberam hemácias quando a concentração de hemoglobina se encontrava abaixo de 7 g/dl de sangue, de acordo com o protocolo hoje adotado.

As taxas de anemia e de mortalidade foram quase duas vezes maiores no segundo grupo, no qual se adotou a chamada estratégia restritiva, em comparação com o primeiro, no qual se empregou a estratégia liberal.

 

Coordenadores

Juliano Almeida – Icesp

Ludhmila Abrahao Hajjar – Icesp

 

Estágio atual

Os pesquisadores estão planejando um estudo com um número maior de pacientes e a participação de vários centros de pesquisa médica para testar a hipótese de que a estratégia liberal poderia ser mais benéfica do que a restritiva em pacientes submetidos a grandes cirurgias.

 

Perspectivas

Esse e outros trabalhos que obtiveram conclusões semelhantes poderão servir para rever as estratégias de transfusões de hemácias após grandes cirurgias e fortalecer a possibilidade de adoção de critérios individualizados para a indicação de transfusão de hemácias.

 

Trabalho premiado

ALMEIDA, J. P. de et al. Transfusion Requirements in Surgical Oncology Patients: A Prospective, Randomized Controlled Trial. Anesthesiology. v. 122, n. 1, p. 29-38, 2015.


– Personalidade de Destaque

Aristides Pereira Maltez Filho

Referência em oncologia no Nordeste

Além de consolidar uma das mais antigas instituições de combate ao câncer no país, o médico Aristides Pereira Maltez Filho ajudou a construir uma referência ética e de solidariedade no atendimento médico nessa área na Bahia.

Formado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 1957, ele assumiu em 1992 a presidência da Liga Bahiana Contra o Câncer (LBCC), em Salvador, dando prosseguimento ao trabalho do pai, Aristides Maltez, que idealizou um instituto para atender as pessoas pobres com câncer. Inaugurado com 15 leitos em 1952, nove anos depois da morte de seu criador, o Hospital Aristides Maltez (HAM) tornou-se um dos principais centros de combate ao câncer do Brasil.

Como presidente da LBCC, instituição mantenedora do HAM, Maltez Filho implantou centros de radioterapia, unidades de terapia intensiva, centros de imagem, cuidados paliativos e assistência domiciliar. Ele ampliou a capacidade do hospital para 232 leitos e enfatizou o aprimoramento de profissionais de saúde e a implantação de campanhas de prevenção do câncer na Bahia. “Atendemos em média 3.500 pessoas por dia, exclusivamente pelo sistema público de saúde, o SUS”, orgulha-se.

“No trato com o paciente portador de câncer e sua família, não existe lugar em nenhum instante para omissões e covardia”, disse ele em 2014 em um congresso voltado à valorização do atendimento psicológico a pessoas com câncer. “Não há, pois, por que termos medo, pudor ou vergonha nos difíceis e delicados caminhos da luta contra o câncer; temos, isto sim, de estar convictos e identificados com o que representamos e com o que buscamos.”

Em 2016, aos 83 anos, o médico atua também no fortalecimento das políticas públicas em oncologia como presidente da Associação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Combate ao Câncer (Abificc), criada por ele em 1990. “O papel das instituições filantrópicas de combate ao câncer é fundamental para a garantia de um sistema de saúde cada vez mais efetivo, justo e humanizado”, ele diz.

 

– Pesquisa em Oncologia

Proteínas da saliva para avaliar o câncer oral

Proteínas da saliva podem indicar a evolução do carcinoma oral de células escamosas (OSCC), um dos tipos mais frequentes de câncer de boca, com taxa de sobrevida de aproximadamente 20% em cinco anos após o diagnóstico. Pesquisadores do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio) do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), da Faculdade de Odontologia de Piracicaba da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Icesp compararam as proteínas de amostras de saliva e de vesículas extracelulares salivares de 10 indivíduos saudáveis e de 20 com OSCC, com e sem lesão ativa, por meio da técnica de proteômica, baseada em espectrometria de massas.

A análise revelou diferenças significativas na composição de proteínas da saliva, permitindo uma classificação dos indivíduos saudáveis e daqueles com câncer oral com 90% de acurácia. Diferenças marcantes na expressão de proteínas foram observadas entre os participantes do estudo com e sem lesão ativa: foram identificadas 38 proteínas apenas no grupo de indivíduos com lesões ativas de câncer oral e 5 encontradas 5 apenas no grupo de indivíduos sem lesão ativa:

 

Coordenadora

Adriana Franco Paes Leme – LNBio

 

Estágio atual

Nas amostras analisadas, o perfil de expressão de proteínas da saliva de pessoas com OSCC indicou alterações de processos associados à resposta imune e inflamatória, entre outros.

A menor abundância da proteína PPIA, envolvida na ativação de células de defesa e no transporte de outras proteínas, pode estar associada a um pior prognóstico.

 

Perspectivas

O trabalho fortalece a possibilidade de uso de saliva como marcador biológico complementar não invasivo da progressão de tumores de boca. O grupo de pesquisa pretende avaliar amostras de saliva, sangue e tecidos de um número maior de indivíduos saudáveis e com lesões orais, ativas ou não, para validar essa nova abordagem.

 

Trabalho Premiado

WINCK, F.V. et al. Insights into immune responses in oral cancer through proteomic analysis of saliva and salivary extracellular vesicles. Scientific Reports. v. 5, 16305, 2015.

 

– Inovação Tecnológica em Oncologia

Novos alvos nas células tumorais

Como resultado de um trabalho iniciado em 2006 no Instituto Butantan, o Amblyomin-X, uma proteína da glândula salivar do carrapato-estrela (Amblyoma cajennense), está emergindo como um promissor antitumoral. Em testes in vitro, o Amblyomin-X inibiu a proliferação de 23 linhagens de células tumorais humanas, sem ação sobre células normais (fibroblastos, células endoteliais e outras), usadas como padrão de comparação.

Pesquisadores do Instituto Butantan observaram que o Amblyomin-X, caracterizado inicialmente como anticoagulante, tem grande afinidade por células tumorais. Uma vez incorporado por elas, reduz a atividade do proteassoma, estrutura responsável pela eliminação de resíduos do metabolismo celular, e das mitocôndrias, responsáveis pela respiração celular. Como resultado, a proteína impede a proliferação de células tumorais.

A dineína, uma molécula envolvida no transporte intracelular, desempenha papel fundamental no transporte e na atividade do Amblyomin-X. Desse modo, o proteassoma e a dineína passaram a ser vistos como novos alvos potenciais do Amblyomin-X para a eliminação de células tumorais.

 

Coordenadora

Ana Marisa Chudzinski Tavassi – Instituto Butantan

 

Estágio atual

O mecanismo de ação do Amblyomin-X em células tumorais está bastante caracterizado. Os testes pré-clínicos em modelos animais (camundongos e coelhos) indicaram toxicidade aceitável, e as provas de conceito, em tumores, mostraram ação significativa do Amblyomin-X, obtido como proteína recombinante em Escherichia coli.

 

Perspectivas

A equipe que realiza esse trabalho iniciou a transferência da tecnologia de produção para uma empresa farmacêutica nacional, com a qual trabalha em colaboração neste projeto. O início dos testes de segurança e eficácia do Amblyomin-X em seres humanos está previsto para 2017. Os estudos sobre a ação intracelular do Amblyomin-X representam novas rotas bioquímicas e alvos moleculares potenciais a serem explorados para o desenvolvimento de novos antitumorais.

 

Trabalhos Premiados

MORAIS, K.L. et al. Amblyomin-X induces ER stress, mitochondrial dysfunction, and caspase activation in human melanoma and pancreatic tumor cell. Molecular and Cellular Biochemistry. v. 415, n. 1-2, p. 119-31. 2016.

PACHECO, M.T.F. et al. Specific Role of Cytoplasmic dynein in the mechanism of action. Experimental Cell Research. v. 340, n. 2, p. 248-258. jan. 2016.

ORGANIZAÇÃO

REALIZAÇÃO

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